os
carne de cavalo.
- Cavalo é melhor - Irri retrucou. - Cavalo torna um homem
mais forte.
- Viserys detesta carne de cavalo.
- Como quiser, Khaleesi.
Regressou com um pernil de carneiro e um cesto de frutas e
legumes. Jhiqui assou a carne tom ervamel e vagem-de-fogo,
untando-a com mel enquanto assava; e havia melões, romãs e
ameixas, e uma estranha fruta oriental que Dany não
conhecia. Enquanto as aias preparavam a refeição, Dany
desempacotou a roupa que tinha mandado fazer sob medida
para o irmão: uma túnica e calções de fresco linho branco,
sandálias de couro atadas no joelho, um cinto com medalhão
de bronze, um colete de couro pintado com dragões que
exalavam fogo. Esperava que os dothrakis o respeitassem
mais caso se parecesse menos com um pedinte, e talvez a
perdoasse por tê-lo envergonhado naquele dia no campo.
Afinal de contas, ainda era o seu rei e seu irmão. Eram ambos
sangue do dragão.
Estava preparando o último dos presentes, um manto de
sedareia, verde como a mata, com um debrum cinza-claro que
realçaria o prateado de seu cabelo, quando Viserys chegou,
arrastando Doreah pelo braço. O olho da mulher estava
vermelho onde ele lhe batera.
- Como se atreve a enviar esta rameira para me dar ordens? -
disse e atirou rudemente a aia ao tapete.
A ira apanhou Dany completamente de surpresa.
- Só quis... Doreah, o que você lhe disse?
- Khaleesi, mil desculpas, perdoe-me. Fui falar com ele, como
me pediu, e lhe disse que a senhora mandou que à senhora se
juntasse para o jantar,
- Ninguém manda no dragão - rosnou Viserys. - Eu sou o seu
rei! Devia ter lhe devolvido a cabeça dela!
A jovem lysena vacilou, mas Dany a acalmou com um toque.
- Não tenha medo, ele não te fará mal. Querido irmão, por
favor, perdoe, a moça se confundiu nas palavras, eu lhe disse
que pedisse a você que se juntasse a mim para o jantar, se isso
fosse do agrado de Vossa Graça - pegou-o pela mão e o fez
atravessar o quarto. - Olhe. Isto é para você - Viserys franziu
as sobrancelhas, cheio de suspeita.
- Que é tudo isso?
- Roupas novas. Mandei fazer para você - Dany sorriu
timidamente. Ele a olhou e escarneceu.
- Trapos dothrakis. Agora se atreve a me vestir?
- Por favor... Ficará mais fresco e confortável, e pensei...
talvez, que, se se vestisse como eles, os dothrakis... - Dany
não sabia como dizer o que pretendia sem acordar o dragão.
- A seguir há de querer entrançar meu cabelo.
- Eu nunca... - por que ele era sempre tão cruel? Ela só queria
ajudar. - Não tem direito a uma trança, ainda não obteve
nenhuma vitória.
Foi a coisa errada a dizer. A fúria brilhou nos olhos lilases do
irmão, mas ele não se atreveu a bater nela com as criadas
observando e os guerreiros do seu khas à porta. Viserys
apanhou o manto e o cheirou.
- Isto fede a estrume. Talvez o use como coberta para o
cavalo.
- Mandei que Doreah o cosesse especialmente para você - ela
disse, ferida. - São roupas dignas de um khal
- Eu sou o Senhor dos Sete Reinos, não um selvagem
manchado pelo mato e com campainhas no cabelo - Viserys
gritou e agarrou o braço da irmã, - Esquece-se de quem você
é, sua puta. Acha que aquele barrigudo te protegerá se
acordar o dragão?
Os dedos dele enterraram-se dolorosamente em seu braço, e
por um instante Dany sentiu-se de novo criança, vacilando
perante sua raiva. Estendeu a outra mão e agarrou a primeira
coisa que tocou, o cinto que esperara lhe oferecer, uma pesada
corrente de medalhões ornamentados de bronze. Brandiu-o
com toda sua força.
Atingiu-o em cheio no rosto. Viserys a largou. Sangue correu
de sua bochecha, onde a saliência de um dos medalhões a
cortou.
- É você quem se esquece de quem é - ela disse. - Não
aprendeu nada naquele dia no campo? Saia daqui
imediatamente, antes que eu chame meu khas para te
arrastar para a rua, E reze para que Khal Drogo não ouça
falar disto, porque, se ouvir, lhe abrirá a barriga e lhe dará
para comer suas próprias entranhas.
Viserys pôs-se em pé atabalhoadamente.
- Quando ganhar o meu reino, lamentará este dia, puta - e
saiu, agarrado ao rosto ferido, deixando os presentes para
trás.
Gotas de seu sangue tinham borrifado o belo manto de
sedareia. Dany encostou o suave tecido na face e sentou-se de
pernas cruzadas sobre as esteiras de dormir.
- Seu jantar está pronto, Khaleesi -Jhiqui anunciou.
- Não tenho fome - disse Dany com voz triste. Ficara
subitamente muito cansada. - Divida a comida entre vocês, e
envie alguma a Sor Jorah, por favor - após um momento,
acrescentou: - Por favor, alguém me traga um dos ovos de
dragão,
Irri foi buscar o ovo com a casca de um profundo tom verde,
que mostrava salpicos de bronze entre as escamas quando o
virava nas pequenas mãos. Dany enrolou-se de lado, puxando
o manto de sedareia sobre o corpo e aninhando o ovo no
espaço entre a barriga inchada e os pequenos e tenros seios.
Gostava de pegar neles. Eram tão belos, e, por vezes, o
simples fato de estar junto deles a fazia sentir-se mais forte,
mais corajosa, como se de alguma forma retirasse força dos
dragões de pedra ence